Medida atende pressão de pescadores artesanais e reverte restrições anteriores; comunidades de Imbituba, como Vila Nova e Praia do Porto, estão entre as beneficiadas

A nova portaria, publicada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), reverte restrições que proibiam o arrasto de praia em parte da costa catarinense. A medida representa uma vitória para comunidades pesqueiras tradicionais, que nos últimos anos vinham enfrentando limitações impostas sob o argumento da sustentabilidade da espécie.
Para Imbituba, o impacto é direto. Bairros como Vila Nova e Praia do Porto concentram ranchos de pesca que tradicionalmente realizam o arrasto de praia durante a safra, que ocorre entre maio e julho — período de migração da tainha para desova. A pesca artesanal movimenta a economia local no inverno, envolvendo redes de comercialização direta e geração de renda para dezenas de famílias.
## Contexto da retomada
Santa Catarina responde pela maior produção de tainha do Brasil, e a pesca artesanal de arrasto de praia é reconhecida como patrimônio cultural imaterial do estado desde 2019. Apesar disso, a modalidade chegou a ser suspensa por portarias anteriores do próprio MPA, gerando protestos de pescadores e entidades representativas.
Em 2023, a cota catarinense ficou na casa de 4.500 toneladas — metade do que agora foi estabelecido. O novo limite de 8,5 mil toneladas representa uma resposta à mobilização do setor pesqueiro artesanal, que argumentava que os números anteriores ignoravam a realidade das comunidades litorâneas.
Colônias de pesca de Imbituba atuaram como articuladoras da pressão junto a representantes de outros municípios catarinenses. Ainda não foram detalhados, no entanto, os critérios de distribuição das cotas entre estados ou cidades, nem o período exato de vigência da portaria.
## Divergências no horizonte
A ampliação da cota e a reabertura do arrasto de praia devem reacender o debate sobre sustentabilidade. Ambientalistas e pesquisadores questionam se o novo patamar de captura é compatível com a preservação dos estoques de tainha no litoral sul do país.
A Prefeitura de Imbituba, por sua vez, acompanha a medida com interesse no impacto econômico da safra sobre o município. Até o fechamento desta matéria, o ZIMBANET não havia obtido posicionamento oficial da gestão municipal sobre a portaria.
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