Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra avanço de facções para cidades do interior e acende alerta para o litoral sul catarinense às vésperas das eleições de 2026

O crime organizado não é mais assunto só de capital. O relatório "Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança", divulgado neste domingo (10) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revela que 41,2% dos brasileiros com 16 anos ou mais — cerca de 68,7 milhões de pessoas — reconhecem a presença de facções ou milícias no bairro onde moram. Nas cidades do interior, o índice chega a 34,1%: mais de um em cada três moradores convivendo com o poder territorial do crime organizado na vizinhança.
O fenômeno tem nome e endereço: expansão do PCC e do Comando Vermelho para o interior do país. Segundo o relatório, essas organizações transformaram municípios de médio porte em entrepostos logísticos e zonas de disputa armada. Santa Catarina, historicamente apontada como um dos estados mais seguros do Brasil, não está imune a esse processo. Imbituba, com cerca de 50 mil habitantes e posição estratégica na rota entre Florianópolis e o extremo sul catarinense, integra um corredor que relatórios anteriores do próprio FBSP e dados da Secretaria de Segurança Pública de SC (SSP-SC) já associaram ao aumento de apreensões de entorpecentes e de homicídios na região.
**O que muda onde o crime chega**
Os números do relatório mostram que a presença de facções não é só simbólica: ela altera a vida cotidiana de forma concreta. Nos territórios onde o crime organizado atua, a taxa de vitimização sobe de 40,1% para 51,1% — uma diferença de 11 pontos percentuais. Além disso, 61,4% dos entrevistados que reconhecem essa presença afirmam que o crime influencia muito ou moderadamente as decisões e as regras de convivência local.
Samira Bueno, diretora-executiva do FBSP e coordenadora da pesquisa, define esse fenômeno como governança criminal. "Você tem o poder do Estado, mas também tem o poder do crime, que se coloca como um regulador da vida das pessoas que vivem nesses territórios e que impõe uma série de regras e normas sobre o que pode e o que não pode ser feito nesses lugares", explicou Bueno. A literatura acadêmica chama essa coexistência de "duopólio de violência" — Estado e crime disputando, ao mesmo tempo, a ordenação da vida diária.
**Eleições 2026 e o debate local**
O relatório foi lançado com recorte eleitoral explícito: o tema segurança pública deve pautar candidaturas em todo o país nas eleições de outubro de 2026, inclusive em municípios catarinenses. Para Imbituba, o dado do interior (34,1%) serve de referência para cobrar posicionamentos tanto da Prefeitura — responsável por políticas de prevenção e pela Guarda Municipal — quanto dos candidatos que disputarão cargos estaduais e federais na região.
O ZIMBANET entrou em contato com a SSP-SC e com a Prefeitura de Imbituba para obter dados locais e posicionamento sobre as conclusões do relatório. As respostas serão publicadas assim que disponíveis.
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